Guerra e vinho: sobre Napoleão, Champanhe e Borgonha

Confira algumas curiosidades sobre a relação de um dos principais personagens da história com vinhos.

O mundo do vinho é marcado por inúmeras figuras históricas: de reis a personagens do cinema clássico. Dentre eles, Napoleão Bonaparte é um dos que mais se destaca. Imperador da França entre 1804 e 1814, líder político e comandante do Exército Francês, Bonaparte sonhava em acabar com a monarquia absolutista de dia, enquanto de noite dedicava todas as suas conquistas e derrotas à sua bebida favorita – o vinho, principalmente os de Champanhe e da Borgonha.

Napoleão começou sua carreira militar em 1784, e quatro anos depois, aos 20 anos, deu início à Revolução Francesa, criando profundas modificações políticas, sociais e econômicas. A revolução também atingiu a vitivinicultura, que foi afastada da Igreja. Os vinhedos que pertenciam aos mosteiros foram vendidos para a classe média, e até mesmo aos camponeses. Em 1804, o Código Napoleônico foi responsável por permitir que vinhedos e outros dotes fossem distribuídos igualmente para os herdeiros, independente do gênero ou idade, desde que não tivessem ligações diretas com a corte ou a Igreja. É esse um dos motivos pelos quais os vinhedos da Borgonha são uma grande “colcha de retalhos”.

Os vinhos favoritos do imperador

Napoleão era conhecido por ter gosto refinado e, além dos Champanhes, apreciava os exemplares da Borgonha, até hoje uma das mais conceituadas regiões vinícolas do mundo. Ele imortalizou a frase: “nada faz o futuro parecer tão rosado como contemplá-lo através de uma taça de Chambertin”.

O imperador também foi um consumidor ávido do sul-africano Vin de Constance, na época considerado um dos melhores vinhos doces do mundo. Em seus cinco últimos anos de vida, teria recebido mais de 300 galões do Vin de Constance. Dizem que ele recusou todas as comidas e bebidas oferecidas antes de morrer, pedindo unicamente uma taça do vinho sul-africano.

Na vitória, merecemos Champagne. Na derrota, precisamos dele!

Ao chegar ao poder na França, era estratégia de Bonaparte dividir os exércitos e combater em diversas campanhas de enfrentamento pela Europa. Historiadores afirmam que ele carregava inúmeros barris de Chambertin em suas viagens pela Áustria, Itália, Egito e Espanha.

A tática política falhou quando o exército francês chegou a Moscou sem conseguir dividir as tropas russas e, já sofrendo com as condições climáticas da região, Napoleão foi abatido. Apesar da derrota, sabe qual foi sua maior mágoa? Ter perdido seu carregamento de Chambertin pelo caminho!

Com a derrota contra a Rússia, e logo em seguida contra a Coligação Europeia (ingleses e germânicos), ele foi exilado na Ilha de Elba, de onde fugiu para ir ao encontro de quem agora o perseguia: o regimento britânico. Conseguindo cooptar a tropa francesa, ele voltou ao poder por pouco mais de cem dias até perder a Batalha de Waterloo. Os ingleses o enviaram para a ilha de Santa Helena em exílio até o fim de sua vida. Recentemente, documentos revelaram que durante sua prisão, Napoleão Bonaparte e seus aliados recebiam garrafas de “clarete” (vinho tinto de Bordeaux) e uma de Champagne por dia em homenagem à sua derrota. Napoleão passou seis anos em exílio até a sua morte, em 5 de maio de 1821.

Depois de descobrir tantas curiosidades de um dos personagens políticos mais marcantes do mundo e suas preferências etílicas, nossa sugestão é brindar como o imperador: com Mandois e Deutz, duas das Maison mais prestigiadas de Champanhe.

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