Uvas autóctones

Desvendando os mistérios dos vinhos: o que são uvas autóctones?

Autóctones são chamadas as uvas viníferas que se originaram em determinada região como, por exemplo, a Cabernet Sauvignon em Bordeaux, na França; a Tempranillo, na Espanha; ou ainda a Baga, de Portugal. Em especial, são videiras que estão adaptadas e plenamente à vontade nas condições de terroir nas quais estão inseridas, já que estamos falando de sua terra natal.

Dizem que a verdadeira expressão de determinada uva se dá em seu local de origem, mas isso não quer dizer que as uvas não possam originar vinhos excelentes em outros lugares do mundo (é só pensar na Malbec, francesa da região de Cahors que se tornou estrela na Argentina). Em geral, o que se espera de vinhos elaborado com uvas autóctones é tipicidade e originalidade.

Selecionamos algumas uvas e dicas de vinhos para você degustar, confira!

BAGA: fala-se bá-ga

Sua origem é provavelmente o Dão, região das Beiras, em Portugal, e de lá se espalhou para oeste em direção à costa e à região vizinha da Bairrada. Uva pequenas, de pele espessa, apresenta naturalmente taninos e acidez em abundância. Os melhores exemplares possuem aromas frutados enquanto jovens e desenvolvem fragrâncias complexas com a idade, como ameixas pretas, ervas, olivas, fumaça e tabaco, quando seus taninos são amaciados em garrafa. É a casta tinta mais tradicional da Bairrada.

Para degustar: Dinamica D.N.M.C. Baga

TEMPRANILLO: fala-se tem-pra-ni-lho

Base dos grandes espanhóis da Rioja e Ribera del Duero, esta uva elabora vinhos potentes, com taninos e acidez elevados, ricos em frutas e especiarias. Na Espanha também é conhecida como Ull de Llebre (Priorato), Tinto Fino e Tinta del País (ambas na Ribera del Duero), Tinta de Toro (Toro) e Cencibel (La Mancha); em Portugal, é chamada de Tinta Roriz e Aragonez. Na Espanha, os vinhos são identificados de acordo com o período de amadurecimento em carvalho (Crianza, Reserva e Gran Reserva). Entre seus aromas dominantes cereja, figo seco, cedro, tabaco e endro.

Para degustar, Viña Otaño Crianza, 85% Tempranillo

CABERNET SAUVIGNON: fala-se ca-ber-nê sô-vi-nhom

Destacam-se em seu perfil a capacidade de gerar vinhos concentrados e tânicos. Quando cultivada em locais mais frios aparecem os aromas de groselha e cassis; em locais quentes percebem-se amora-silvestre e cereja negra. Outros aromas possíveis são pimenta-do-reino e menta. Por sua grande capacidade de adaptação é cultivada em praticamente todas as regiões vinícolas do mundo, mas sua origem é o Gironde, em Bordeaux, na França, a partir de um cruzamento entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc.

MERLOT: fala-se mer-lô

A Merlot foi por muito tempo apenas coadjuvante na elaboração de grandes vinhos de Bordeaux, na França, por arredondar as “arestas” da Cabernet Sauvignon. Porém, ganhou espaço em vinhedos na Margem Direita, onde se adaptou muitíssimo bem ao solo argiloso e gera vinhos aveludados. No Chile também é comum e origina exemplares elegantes e macios. Entre seus aromas dominantes framboesa, cereja-negra, frutas cristalizadas, chocolate e cedro. Quando o vinho é amadurecido em carvalho americano percebem-se notas herbáceas.

Para degustar: Château Haura, corte das uvas Cabernet Sauvignon e Merlot

TRINCADEIRA: fala-se trin-ca-dei-ra

No Alentejo (Sudeste de Portugal), Trincadeira; no Douro (ao Norte), Tinta Amarela. Essa uva é rica em cor e acidez e produz vinhos de ótima qualidade quando maduros. Nesses casos irá apresentar aromas de framboesa vibrante, com complexidade floral e notas apimentadas. Seu cultivo melhora em locais quentes e secos e, portanto, fica particularmente à vontade no Alentejo e no Tejo, regiões em que realmente brilha.

Para degustar: Vila Santa Tinto, corte de Aragonez e Trincadeira

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